Ritucharya é a rotina das estações. A ideia é simples: cada estação acumula um dosha, e a cozinha compensa.
No Brasil, as estações não são as da Índia clássica, mas o princípio se traduz sem dificuldade: o que está seco e ventoso pede óleo e calor, o que está quente pede frescor, o que está úmido e parado pede especiaria.
Verão, acúmulo de Pitta
- Coentro, erva-doce, hortelã, rosa, cardamomo.
- Preparos mais frescos, menos picantes, menos fritura.
- Água em temperatura ambiente, nunca com gelo.
- Frutas doces e maduras, coco, abobrinha, pepino cozido.
Outono e dias de vento, acúmulo de Vata
- Gengibre, canela, cardamomo, erva-doce, assafétida.
- Sopas, kitcharis, purês, tudo bem cozido e untuoso.
- Horários regulares importam mais nessa época do que em qualquer outra.
- Menos cru, menos seco, menos crocante.
Inverno e umidade, acúmulo de Kapha
- Gengibre seco, pimenta-longa, mostarda, cravo, cúrcuma.
- Preparos secos, assados e bem temperados.
- Refeições mais espaçadas, jantar mais leve ainda.
- Menos laticínio, menos doce, menos frito.
A transição
As trocas de estação são o momento em que o corpo mais adoece. É ali que a tradição recomenda alguns dias de kitchari, chá morno e menos variedade.
Não é restrição. É dar espaço para o corpo se reorganizar.
